12.20.2004

1º Capítulo: A origem da música Goliarda

Curiosa a definição encontrada no site da Universidade Aberta, sobre a História da Música Portuguesa e na parte relativa à Música de origem profana:

"Os mais antigos espécimes de música profana que se conhecem são canções com textos latinos, conhecidas como "canções dos goliardos", dos séc. XI e XII.
São canções monofónicas (monodias) que se pensa haverem sido cantadas por estudantes ou por clérigos ambulantes.
Um outro tipo de canção monofónica era o "conductus" (séc. XII e XIII).
Os "conductus" poderão ter sido cantados nos momentos em que um clérigo ou outro membro representando um drama litúrgico se deslocavam de um local para outro (conducto = conduzido).
O "conductus" representa, à época, a fragilidade da fronteira entre música sacra e música secular, uma vez que era utilizado indistintamente tanto em actos religiosos como em festas seculares, utilizando-se o termo "conductus" para qualquer canção latina, quer sagrada quer profana.
As "Canções de Gesta" são, por sua vez, um dos tipos mais antigos de canção que se conhece em língua vernácula.
Cantadas pelos jograis, versavam os feitos dos heróis e eram transmitidas oralmente (a "Canção de Rolando", datada da segunda metade do séc. XI, é a mais famosa das "canções de gesta").
Com origem no Sul de França, surgem, mais tarde, as cantigas trovadorescas.
Escritas inicialmente em provençal (langue d'oc), inspiravam-se na cultura mourisca hibérica e difundiram-se não só para a Península Ibérica como para outras regiões, tais como a região de Champagne e a Artésia (Alemanha).
Admite-se que o termo "trovar" tenha origem em "tropar" isto é, realizar "tropos". Estes, tal como as anteriormente referidas "sequências", derivando da prática eclesiástica, consistiam em intercalar melodias nos textos litúrgicos.
As cantigas trovadorescas tiveram uma importância particular no nosso território durante um período temporal relativamente extenso (de João Soares de Paiva, 1140, primeiro trovador galaico-português de que existe referência, a D. Pedro, Conde de Barcelos, 1374, o último)."

Concluí-se por tal, da importância da música profana e no caso específico, de origem Goliarda na Península Ibérica, com clara influência posterior naquilo a que se chamou de "Tuna". Ou seja, a Tuna de facto tem origens musicais claras na música profana dos Séculos XI e XII. Mais que isso, a música de origem trovadoresca é importante enquanto génese da musicalidade tunante, seja em Espanha ou em Portugal, como se percebe atrás.